Dicas de ouro para quem vai aos Lençóis Maranhenses
por Jota Marincek
Os Lençóis Maranhenses se transformaram, nos últimos anos, em um dos destinos mais desejados do Brasil — e não é por acaso. Trata-se de um lugar absolutamente único no mundo: uma imensa região de dunas altíssimas, quase como um deserto, que em determinado período do ano se enche de lagoas de água doce cristalina. Esse fenômeno acontece entre os meses de maio e setembro, sendo que junho, julho e agosto costumam apresentar as lagoas mais cheias.
Por outro lado, esses meses também concentram o maior fluxo de visitantes. Por isso, uma dica importante é considerar viajar no fim de abril, início de maio ou em setembro. Nesses períodos, as lagoas ainda estão lindas, o parque fica mais tranquilo e a experiência costuma ser muito mais prazerosa.
As três bases dos Lençóis: qual escolher?
Para visitar os Lençóis Maranhenses, existem três bases principais: Santo Amaro, Atins e Barreirinhas. Cada uma delas tem características muito distintas — e escolher bem faz toda a diferença na viagem.
Santo Amaro é a base mais próxima do Parque de Dunas. Ali estão algumas das lagoas mais profundas e, em certos casos, até perenes. É uma excelente opção, inclusive fora da alta temporada, quando as lagoas ainda mantêm bom volume de água. Para quem busca contato direto com o parque e menos deslocamentos, é uma base estratégica.
Atins, por sua vez, combina proximidade com o parque e uma infraestrutura turística mais sofisticada. É uma vila charmosa, com ruas de areia, boas pousadas, restaurantes variados, lojinhas e um clima gostoso de vilarejo turístico. É onde se encontra hoje a maior oferta de hospedagens de qualidade nos Lençóis.
Já Barreirinhas é a maior cidade da região e a base que primeiro se desenvolveu turisticamente, há cerca de 20 anos. Por isso, também é a que recebe mais visitantes. Ela fica um pouco mais distante das dunas, exigindo maior deslocamento, mas oferece uma boa estrutura urbana e possibilidades de passeios culturais interessantes.
Experiências além das dunas

Barreirinhas permite vivências que vão além do clássico cenário de dunas e lagoas. É possível visitar comunidades como Marcelino e Itapuio, conhecer a Casa da Farinha, vilas que vivem do artesanato em palha de buriti e até comunidades mais isoladas dentro do parque, como Mumbuca.
Outro destaque é a flutuação no Rio Formiga, uma experiência deliciosa em águas cristalinas, perfeita para o clima quente do Maranhão. Além disso, a partir de Barreirinhas também se acessam os Pequenos Lençóis e praias como a do Arpoador.
A melhor logística: circular pelas bases

Na minha visão, a melhor logística para os Lençóis é aquela que permite circular pelas três bases, ficando alguns dias em Santo Amaro, Atins e Barreirinhas. Assim, o viajante conhece o parque sob diferentes perspectivas.
Para quem prefere não trocar tanto de hotel, uma ótima alternativa é dividir a viagem entre Santo Amaro e Atins, o que já garante acesso aos principais atrativos e uma experiência bastante completa.
Travessias e o cuidado com o excesso de fluxo

Nos últimos anos, a travessia dos Lençóis Maranhenses — em jornadas de três ou quatro dias — se popularizou muito. Ela passa por comunidades conhecidas como oásis, como Baixa Grande e Queimada dos Britos. O problema é que, na alta temporada, esses locais ficam extremamente cheios, com pernoites em grandes redários que acabam descaracterizando a experiência.
Por isso, na Venturas, desenvolvemos travessias alternativas pela borda sul do parque, em comunidades ainda preservadas e com fluxo bem menor. A experiência no parque é a mesma — dunas imensas e paisagens espetaculares —, mas o pernoite acontece em locais mais tranquilos. Em nossos roteiros, oferecemos inclusive acampamentos confortáveis, com barracas altas, camas, estrutura organizada e interação respeitosa com as comunidades locais.
Experiências exclusivas: noite, sentidos e gastronomia

Os Lençóis também permitem experiências muito especiais. Uma delas é a visita noturna ao Parque de Dunas, que lançamos recentemente como uma experiência sensorial. Durante a noite, convidamos o viajante a explorar não apenas a paisagem, mas também os outros sentidos: audição, tato, olfato e paladar. A atividade acontece ao entardecer e segue até a noite, com dinâmicas, música, comida e o espetáculo do céu estrelado.
Também oferecemos jantares privativos em locais remotos, com pôr do sol, silêncio absoluto e uma refeição preparada exclusivamente para aquele grupo — uma experiência memorável.
Lençóis Maranhenses e a Rota das Emoções

Vale lembrar que os Lençóis fazem parte da famosa Rota das Emoções, que inclui o Delta do Parnaíba, Barra Grande, Camocim e Tatajuba. Muitos viajantes aproveitam para estender a viagem, seguindo dos Lençóis para o Delta, onde acontece a belíssima Revoada dos Guarás, e depois continuam pelo litoral.
Nós, na Venturas, gostamos especialmente de fazer os Lençóis como porta de entrada da rota, finalizando em Tatajuba — mas o percurso funciona bem nos dois sentidos.
Volta ao Parque: logística que vira experiência

Hoje, uma das grandes novidades logísticas da Venturas é o deslocamento entre Santo Amaro e Atins pela praia, atravessando todo o entorno do parque em veículos 4×4. Esse trajeto, que antes exigia retorno por Barreirinhas e barco pelo Rio Preguiças, se tornou um verdadeiro passeio.
Esse conceito deu origem ao roteiro que chamamos de Volta ao Parque, logística criada pela Venturas inicialmente na Chapada Diamantina e premiado pelo Ministério do Turismo, depois no Jalapão e agora nos Lençóis Maranhenses: começamos em Santo Amaro, seguimos pela praia até Atins, depois percorremos o Rio Preguiças até Barreirinhas e, por fim, seguimos por terra até São Luís. Assim, o viajante não repete trajetos e transforma cada deslocamento em parte da experiência.
Acampar nos Lençóis: uma imersão inesquecível

Por fim, para quem deseja uma experiência ainda mais imersiva — seja em casal, em família ou com filhos —, oferecemos acampamentos dentro do Parque de Dunas, com toda a estrutura necessária: barracas iglu de alta qualidade, colchonetes infláveis, alimentação preparada por chef, mesas, cadeiras e muito conforto.
Dormir nos Lençóis, sob um céu estrelado, cercado por dunas, é uma vivência profunda de conexão com a natureza — e, sem dúvida, uma das formas mais marcantes de conhecer esse destino extraordinário.
FAQ
Qual a melhor época para visitar os Lençóis Maranhenses?
- A melhor época para visitar os Lençóis Maranhenses é entre abril e setembro, quando as lagoas ficam cheias após as chuvas.
Por que viajar com a Venturas para os Lençóis Maranhenses?
- A Venturas tem base própria nos Lençóis Maranhenses e atua há mais de 30 anos com turismo de natureza, portanto os roteiros na região têm a melhor logística para aproveitar a região, longe dos grandes fluxos.
Quantos dias ficar nos Lençóis Maranhenses?
- Para aproveitar os Lençóis Maranhenses, o ideal é ficar no mínimo 5 dias. É preciso considerar dois dias de deslocamento entre São Luiz e uma das bases – Atins, Santo Amaro e Barreirinhas, em torno de 3 horas e meia.
Como chegar nos Lençóis Maranhenses?
- A partir de São Luiz, capital do Maranhão, há estrada para as cidades-base: Barreirinhas (3h30), Santo Amaro (3h40) ou Atins (acesso via barco por Barreirinhas).
- Transporte Local: Os passeios dentro do parque exigem veículos 4×4 credenciados.
- Rota das Emoções: É possível chegar via Parnaíba (PI) para quem faz o roteiro da Rota das Emoções.