Bem, aqui estamos nós, para descobrir os encantos e belezas do segundo dia de passeios de um roteiro pela Chapada Diamantina em sete dias. Mais uma vez levamos bastante protetor solar para ir passando sempre que necessário, calçados confortáveis, squeeze de água, o fundamental repelente, e claro, bastante disposição para o longo dia de aventuras.

Chapada Diamantina em Sete dias – Segundo dia

Remanso

Começamos o dia com um delicioso café da manhã onde você fica realmente na dúvida do que degustar. Tapioca ou beijú como é bem conhecido, frutas variadas, café quentinho, pães de todos os tipos, queijos e frios, bolos, enfim, tudo que se possa imaginar de gostoso num café-da-manhã, nós tivemos o prazer de comer.

Ressaltamos a questão das refeições, pois acreditamos que além de ser importante estar bem alimentados para um bom desempenho nos passeios, pensamos que é também na alimentação que nós temos a oportunidade de estar mais próximos da cultura e tradições locais.

Depois de estarmos extremamente satisfeitos e felizes com o maravilhoso café, estava na hora de pegar a estrada e seguir rumo a Remanso. De Lençóis a Remanso percorremos no total 20 km, sendo 2 km de estrada de asfalto e 18 km de estrada de terra. Para isso gastamos aproximadamente 40 minutos.

A comunidade Quilombola do Remanso, que é reconhecida como patrimônio cultural pelo Ministério da Cultura, originária na década de 20, é onde residem atualmente, cerca de 300 habitantes afro-brasileiros e é a partir de lá, que inicia-se o passeio do Marimbus e rio Roncador. Nós, como estávamos num grupo de 12 pessoas, nos dividimos em 3 canoas e seguimos pelo mini pantanal do Marimbus, como é conhecido.

Marimbus

Marimbus é o nome do mini pantanal da Chapada Diamantina
Marimbus é o nome do mini pantanal da Chapada Diamantina

O Marimbus está localizado na área de proteção ambiental da Chapada Diamantina. Fizemos esse trajeto em aproximadamente 1 hora e 40 minutos e podemos dizer, é fantástico! Pareceu tão rápido por que a beleza do lugar é inacreditável. Com o ritmo tranquilo do remo, nós tivemos a experiência de estar em um pequeno pantanal no meio da Chapada. A vegetação aquática é de uma beleza que é difícil descrever. Fomos passando por trechos estreitos, por trechos mais abertos, avistando no horizonte os morros, o sol intenso e o vento refrescante. Além dos guias Venturas, nós contamos com os guias locais nativos do Remanso para ajudar no deslocamento das canoas. Sem dúvida esse é um passeio que não pode ficar de fora do seu roteiro da região.

Ao final do trecho de canoa, nós caminhamos aproximadamente 30 minutos até chegarmos no Rio Roncador, para aquele maravilhoso banho gelado que nos refresca do calor. É possível banhar-se em pequenas cachoeiras e em algumas piscinas que mais parecem jacuzzis naturais. Esses banhos são realmente revigorantes a todos os visitantes. É aquele momento que você relaxa, curte ainda mais o passeio, e por que não, se entrega de fato a tudo o que a natureza te oferece. Veja o vídeo deste passeio.

Rio Roncador

Um banho de rio refrescante é o que nos aguarda depois de percorrer o Marimbus
Um refrescante banho de rio nas cachoeirinhas e poços naturais do Rio Roncador, na Chapada Diamantina

No caminho para o Roncador, realizamos uma rápida parada no restaurante localizado em uma casa simples de uma antiga fazenda, para onde no retorno do banho teríamos a honra de degustar um almoço típico regional.

Pois bem, voltamos do banho no Rio Roncador e ao chegar na casa o cheirinho de comida já nos convidava para comer. Feito tudo no fogão à lenha, foi difícil escolher o que comer. Para facilitar começamos por experimentar o que era típico mesmo da região. E para de fato ter ido a Chapada, você tem que degustar pelo menos o Godó de banana, o Cortado de palma, Farofa de manteiga de garrafa com banana e Carne do sol frita. Nossa! Só de lembrar já começo a ficar com água na boca. Além disso tinha macarrão, arroz, feijão, peixe frito, Refogado de melancia, Salada de tomate e para fechar o cardápio de sobremesa tinha Doce de banana. Para quem não gosta de doce se pode optar por melancia. Tudo isso pode ser degustado a vontade.

Tudo do almoço estava realmente delicioso. Só tem um detalhe aqui, pois o que pode acontecer é você terminar exagerando e querer ficar de bobeira a tarde toda em uma daquelas sombras embaixo da árvore. Mas como ainda tínhamos mais para ver, voltamos pelo Marimbus por mais uns 20 minutos até a “Fazenda Velha”.

Vila de Igatu

O bar do Guina é convidativo para uma cervejinha na praça
“Igatu Picchu” ou “Machu Pichu Baiana” é o apelida da simpática vila de Igatu na Chapada Diamantina.

Daí tivemos mais uma caminhada no plano de mais ou menos uma hora até que pegamos o carro direto para vila de Igatu, que  na verdade é um distrito que surgiu com a extração de diamantes no município de Andaraí. Sua arquitetura de pedra, do século XIX, é herança da época do Ciclo do Diamante na região da Chapada Diamantina. Por isso, o distrito é conhecido pelo apelido de “Machu Picchu baiana” ou “Igatu Picchu”, numa referência à histórica cidade peruana de pedra.

Infelizmente o museu (a céu aberto) da cidade estava fechado e ficará para uma outra oportunidade conhecê-lo, mas de fora já tivemos um pouquinho do que é aquele lugar. Da frente do museu foi possível ver, lá distante, os resquícios da época do garimpo, onde a corrida pelas pedras preciosas trouxe um número considerável de aventureiros em busca de fortuna, chegando a abrigar em torno de 9.000 habitantes.  

Amarildo dos Santos: Fã número um da Xuxa
Amarildo dos Santos: Fã número um da Xuxa Meneguel

Como já era noite, nós jantamos e estávamos ansiosos à espera de conhecer um morador bastante conhecido na região, com o qual teríamos o privilégio de conhecer um pouco mais sobre Igatu.

Casa do Amarildo dos Santos, parada obrigatória em Igatu
Casa do Amarildo dos Santos, parada obrigatória em Igatu

Atualmente, a pequena cidade possui 360 habitantes, contados um a um pelo Sr. Amarildo dos Santos, que tivemos a oportunidade de conhecer e ouvir suas histórias. Ilustre morador, se orgulha de ser fã de Xuxa Meneguel e do cantor Roberto Carlos. Professor aposentado, atualmente historiador da cidade, que, anualmente, faz o registro do número de pessoas que nascem, morrem, se casam, chegam ou vão embora de Igatu. Ele reúne essas informações em livros escrito manualmente por ele mesmo e que são vendidos em sua casa. Com uma placa, ” O ponto! Entre aqui e compre alguma coisa”, Sr. Amarildo vende seus contos, balas, doces e outros produtos. Depois da visita a Sr. Amarildo era hora de descansar para recarregar as energias para o próximo dia que nos esperava. Veja o vídeo da vila de Igatu.

Fica a dica:

Se possível, programe-se para dormir na cidade de Igatu, assim você poderá descansar mais e se preparar melhor para o próximo dia na Chapada Diamantina. Se pretende viajar à Chapada Diamantina, considere que a região é extensa e envolve 5 municípios diferentes. Informe-se muito bem antes de embarcar ou procure uma empresa especializada no assunto.

Texto: Camila Jasper   Fotos: Lucas Jasper.

Camila & Lucas Jasper, exploram lugares pelo mundo, conhecendo culturas e pessoas, compartilhando experiências vividas e reflexões. Eles vivem o sonho de experimentar o máximo de cada momento compartilhando a experiência no We Upp, através de vídeos, fotos e textos. www.weupp.com e  www.facebook.com/weuppworld
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